Lista de Leituras sugeridas por Mortimer Adler

Essa é a lista de leitura sugerida por Mortimer Adler em seu Como Ler Livros. Alguns perguntam o que achamos dela e se [ela] pode ser seguida como alternativa às nossas listas. Infelizmente não podemos endossá-la em sua totalidade por um motivo simples: o público que procura o CoA em busca de orientação nem de longe tem o traquejo necessário para essa lista, como fica exposto no Monumento dos Teimosos. Mas isso não quer dizer que seja uma lista ruim e muito menos que não possa ser lida. Então resolvemos comentá-la colocando notas de rodapé em alguns livros para que o interessado tenha alguma orientação sobre.

Boa parte dos livros listados já foi organizado por nós em alguma lista. Esses livros devem ser lidos segundo as orientações da lista onde aparecem; por exemplo Homero é parte da lista de literatura grega e deve ser lido conforme as orientações lá dispostas. Alguns livros possuem restrições, seja pela dificuldade, seja por ter conteúdo considerado pérfido ou danoso. Esses terão notas de rodapé um pouco maiores.

Sendo assim, acreditamos prover um melhor aproveitamento dessas sugestões de leitura adaptando-a à nossa realidade onde:

31% dos brasileiros não lêem livros.

30% nunca comprou um livro.

28% não gosta de ler e 13% não tem paciência.

A média de leitura do brasileiro é 2,43 livros por ano.

3 em cada 10 brasileiros são considerados analfabetos funcionais e apenas 12% da população está no nível “proficiente”.

Apenas 1/5 dos brasileiros chega alfabetizado na universidade.

Apenas 22% dos graduados são proficientes em leitura

Nem todos os links estão atualizados, mas servem ao propósito de justificar nossa posição.

  1. Homero (século IX a. C.?)[1]
  1. Antigo Testamento [restrito][2]
  1. Ésquilo (c. 525-456 a. C.)
  1. Sófocles (c. 495-406 a.C.)
  1. Heródoto (c. 484-425 a.C.)
  1. Eurípides (c. 485-406 a.C.)
  1. Tucídides (c. 460-400 a.C.)
  1. Hipócrates (c. 460-3 77? a.C.)
  1. Aristófanes (c. 448-380 a.C.)
  1. Platão (c. 427-347 a.C.)[3]
  1. Aristóteles (c. 384-322 a.C.)[4]
  1. Epicuro (c. 341 -270 a.C.)[5]
  1. Euclides (fl. 300 a. C.)
  1. Arquimedes (c. 287-2 12 a.C.)
  1. Apolônio de Perga (fl. 240 a.C.)
  1. Cícero (1 06-43 a.C.)[6]
  1. Lucrécio (c. 95-55 a.C.)
  1. Virgílio (70- 19 a. C.)[7]
  1. Horácio (65-8 a.C.)
  1. Lívio (58 a.C.-17 d.C.)
  1. Ovídio (43 a. C.- 17 d.C.)
  1. Plutarco (c. 45- 1 20)
  1. Tácito (c. 55-1 1 7)
  1. Nicômaco de Gerasa (fl. 1 00)
  • Introdução à Aritmética
  1. Epicteto (c. 60- 120)
  1. Ptolomeu (c. 100-178; fl. 127-151)
  • Almagesto
  1. Luciano (c. 120-c. 1 90)
  • Obras (especialmente Sobre o Modo de Escrever História, Uma História Verídica, Leilão de Vidas)
  1. Marco Aurélio (121-180)[8]
  1. Galeno (c. 130-200)
  1. Novo Testamento [restrito][9]
  1. Plotino (205-270)[10]
  1. Santo Agostinho (354-430)[11]
  1. A Canção de Rolando (século XII?) [12]
  1. A Canção do Nibelungo (século XIII)
  1. A Saga de Njal
  1. Santo Tomás de Aquino (c. 1225- 1 274)[13]
  1. Dante Alighieri (1265-1321)[14]
  1. Geoffrey Chaucer (c. 1340- 1400)
  1. Leonardo da Vinci (1452-1519)
  1. Nicolau Maquiavel (1469- 1527) [restrito][15]
  1. Erasmo de Rotterdam (c.1469-1536)
  1. Nicolau Copérnico (1473-1543)
  1. Thomas More (c. 1478-1535) [quase restrito][17]
  1. Martinho Lutero (1483-1546) [restrito]
  1. François Rabelais (c.1495-1553)
  1. João Calvino (1509- 1564) [restrito] [18]
  1. Michel de Montaigne (1533-1592) [quase restrito][19]
  1. William Gilbert (1540- 1603)
  • Sobre o lmã e os Corpos Magnéticos
  1. Miguel de Cervantes (1547-1616)
  1. Edmund Spenser (c. 1552-1599)
  1. Francis Bacon (1561-1626)
  1. William Shakespeare (1564-1616)[20]
  1. Galileu Galilei (1564-1642)

54. Johannes Kepler (1571-1630)

55.  William Harvey (1578 -1657)

  1. Thomas Hobbes (1588-1679) [quase restrito][21]
  1. René Descartes (1596-1650) [restrito][22]
  1. John Milton (1608- 1674)

59.  Moliere (1622- 1673)

60.  Blaise Pascal (1623 -1662)

61.  Christian Huygens (1629-1695)

  • Tratado sobre a Luz

62.  Espinosa (1632-1677)[23]

63.  John Locke (1632-1704)[24]

  1. Jean Baptiste Racine (1639-1699)
  • Tragédias (especialmente Andrômaca e Fedra)
  1. Isaac Newton (1642-1727)[25]
  1. Gottfried Wilhem von Leibniz (1646-1716) [quase restrito] [26]
  1. Daniel Defoe (1660-1731)
  1. Jonathan Swift (1667-1745)
  1. William Congreve (1670-1729)
  1. George Berkeley (1685-1753)[27]
  1. Alexander Pope (1688 -1744)
  1. Charles de Secondat, barão de Montesquieu (1689-1755)
  1. Voltaire (1694-1778) [restrito][28]
  1. Henry Fielding (1707-1754)
  1. Samuel Johnson (1709-1784)
  1. David Hume (1711-1776) [restrito][29]
  1. Jean Jacques Rousseau (1712 -1778) [restrito][30]
  1. Laurence Sterne (1713-1768)
  1. Adam Smith (1723-1790)[31]
  1. Immanuel Kant (1724-1804)[32]
  1. Edward Gibbon (1737-1794)[33]
  1. James Boswell (1740-1795)
  1. Antoine Laurent Lavoisier (1743-1794)
  1. John Jay (1745-1829), James Madison (1751-1836) e Alexander Hamilton (1757- 1804)
  • O Federalista (também Artigos da Confederação, Constituição dos Estados
  • Unidos
  • Declaração de Independência)[34]
  1. Jeremy Bentham (1748-1832)
  • Uma Introdução aos Princípios da Moral e da Legislação Teoria das Ficções
  1. Johann Wolfgang von Goethe (1749- 1832)
  1. Jean-Baptiste Joseph Fourier (1768- 1830)
  • Teoria Analítica do Calor
  1. Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770- 1831)[35]
  1. William Wordsworth (1770-1850)
  • Poemas (especialmente Lyrícal Ballads [Baladas Líricas], Lucy Poems [Poemas de Lucy], sonetos; The Prelude [O Prelúdio])
  1. Samuel Taylor Coleridge (1772-1834)[36]
  1. Jane Austen (1775-1817)[37]
  1. Karl von Clausewitz (1780-1831)
  1. Stendhal (1783-1842)[38]
  1. George Gordon, Lord Byron (1788-1824)
  1. Arthur Schopenhauer (1788-1860)
  1. Michael Faraday (1791-1867)
  1. Charles Lyell (1797-1867)
  1. Auguste Comte (1798-1857) [restrito][39]
  1. Honoré de Balzac (1799-1850)

100. Ralph Waldo Emerson (1803-1882)

101. Nathaniel Hawthorne (1804-1864)

102. Alexis de Tocqueville (1805-1859)[40]

103. John Stuart Mill (1806-1873) [restrito][41]

104. Charles Darwin (1809-1882)

105. Charles Dickens (1812-1870)[42]

106. Claude Bernard (1813 -1878)

107. Henry David Thoreau (1817-1862)[43]

108. Karl Marx (1818-1883)[44]

109. George Eliot (1819-1880)

110. Herman Melville (1819-1891)

111. Fiódor Dostoiévski (1821-1881)

112. Gustave Flaubert (1821-1880)

113. Henrik Ibsen (1828-1906)

114. Leon Tolstói (1828 -1910)

115. Mark Twain (1835-1910)

116. William James (1842-1910)[45]

117. Henry James (1843-1916)

118. Friedrich Wilhelm Nietzsche (1844-1900) [restrito][46]

119. Jules Henri Poincaré (1854-1912)

  • Ciência e Hipótese
  • Ciência e Método

120. Sigmund Freud (1856-1939)[47]

121. George Bernard Shaw (1856-1950)

  • Peças (e seus prefácios; especialmente Homem e Super-Homem, Major Barbara, César e Cleópatra, Pigmalião e Santa Joana)

122. Max Planck (1858-1947)

123. Henri Bergson (1859- 1941) [48]

124. John Dewey (1859- 1952)

  • Como Nós Pensamos Democracia e Educação Experiência e Natureza
  • Lógica – a Teoria da Investigação

125. Alfred North Whitehead (1861-1947)[49]

126. George Santayana (1863-1952)

  • A Vida da Razão
  • Skepticism and Animal Faith [Ceticismo e Fé Animal]
  • Persons and Places [Pessoas e Lugares]

127. Lênin (1 870- 1924)[50]

128. Marcel Proust (1871-1922)

129. Bertrand Russell (1872-1970)[51]

130. Thomas Mann (1875- 1955)

131. Albert Einstein (1879-1955)

132. James Joyce (1882-1941)

133. Jacques Maritain (1882-1973)[52]

  • Arte e Escolástica
  • Os Graus do Conhecimento
  • Os Direitos do Homem e a Lei Natural
  • Humanismo Integral

134. Franz Kafka (1883-1924)

135. Arnold Toynbee (1889-1975)

136. Jean-Paul Sartre (1905-1980) [quase restrito][53]

137. Alexander Soljenítsin (1918-2008)

  • O Primeiro Círculo
  • Pavilhão dos Cancerosos

[1] Seguir segundo as instruções da lista de literatura grega, assim como os outros autores de mesma língua.

[2] Temos restrições sérias à leitura da Bíblia sem o devido preparo, mas se tivéssemos que pesar essas restrições entre as partes do livro, diríamos que o Antigo Testamento é bruscamente mais complicado por conta da mitopoese e da insana amálgama de significados e figuras de linguagem que encontramos em especial no Gênesis e no Eclesiastes. É muito mais seguro ler livros como o Catena Aurea [Sabemos que é sobre os Evangelhos], a Legenda Áurea  e o Comentário do Gênesis, respectivamente de Santo Tomás de Aquino, Jacopo de Varezze e Santo Agostinho. Consultar as respectivas listas de leitura.

[3] Seguir segundo as instruções da lista de Filosofia.

[4] Seguir segundo as instruções da lista de Filosofia.

[5] Após completação do nível 1 da lista de filosofia.

[6] Ler após nível 2 da lista de filosofia.

[7] Os autores romanos devem ser lidos segundo as instruções da lista de literatura romana.

[8] Seguir segundo as instruções da lista de Filosofia.

[9] Mesmas restrições aplicadas ao Antigo Testamento.

[10] Plotino é – segundo nossa opinião – o maior dos neoplatônicos. Sua escrita é complicada e se estivesse listado na lista de filosofia facilmente estaria no nível 3. Recomendamos sua leitura após o fim do nível 3 da respectiva lista.

[11] Ler segundo as orientações da lista de filosofia e após elas, da lista de leitura de Santo Agostinho.

[12] Os autores medievais devem ser lidos segundo as instruções da lista de literatura medieval.

[13] Ler segundo as orientações da lista de filosofia e após elas, da lista de leitura de Santo Tomás de Aquino.

[14] Ler segundo as instruções da lista de literatura medieval. Não custa repetir.

[15] Autor de ciência política. Lê-lo assim cedo é danoso não apenas por ser alimento ao palpiteiro, mas por conter implicações morais no leitor desatento. É um dos livros que temos sérias restrições de leitura ao leigo – de nossa realidade – e que o Prof. Adler não poderia prever.

[16] À exceção do aspecto político, as mesmas restrições aplicadas a Maquiavel.

[17] Recomenda-se a leitura após as explicações de Voegelin sobre o que é utopia em seu artigo publicado em Ensaios 1966-1984.

[18] Martinho Lutero e João Calvino são classificados aqui como autores teológicos e recomenda-se sua leitura após a completação pelo menos das listas de leitura de Filosofia e História.

[19] Autor considerado tosco pela administração; não é difícil mas contém pensamentos toscos.

[20] Seguir as orientações da lista de literatura inglesa.

[21] Seguir as orientações da lista de leitura de ciência política.

[22] Consideramos o ensino de Descartes para leigos algo que beira o criminoso. Seu pensamento tem nuances capazes de capar a aprendizagem da filosofia de modo quase irreparável em sua forma original e pior ainda se em sua forma deturpada – justamente o que ocorre com o leigo. Por conta disso Descartes não aparece na lista de filosofia; seus possíveis benefícios são dados por outros autores e seus possíveis malefícios são excluídos do programa. Pode-se lê-lo após a completação da lista de filosofia.

[23] Adicionamos com mais ênfase em Espinosa as restrições aplicadas a Descartes. Espinosa é algo como um Descartes filosoficamente mais instruído e por isso mais perigoso. Os atentos verão que o Ética possui um problema em sua primeira proposição. Pode-se lê-lo após a completação da lista de filosofia.

[24] Para os livros filosóficos, ler após a completação da lista de filosofia. Para os livros políticos, seguir orientação da lista de ciência política.

[25] Se procura aprender física, ver lista de leitura de física. A leitura de Newton é curiosidade histórica.

[26] Parte das restrições aplicáveis a Descartes aplica-se a Leibniz. O metafísico clássico precisa de doses de whisky para ler a Monadologia e não querer bater a cabeça na parede. Leibniz faz parte daquela área da metafísica racionalista que foi atacada – com sucesso – por Kant. Pode-se ler o Novos Ensaios sobre o Entendimento Humano e suas outras obras logo antes de Kant na lista de filosofia para entender nossa posição.

[27] Mesmas restrições aplicadas a Leibniz. Ler antes de Kant.

[28] Autor altamente tosco e pérfido. Aplicam-se as observações do artigo Filosofia do Desespero.

[29] O Contra os Acadêmicos é bruscamente contra o ceticismo e isso está estampado até em nosso nome. A leitura de Hume causa problemas ao leigo não apenas por conta do ceticismo mas por outra coisa que não gostamos: o empirismo – antes que protestem, o realismo que seguimos inclui os benefícios do empirismo sem seus malefícios. Recomenda-se a leitura de Hume sob duas condições: ou antes de Kant ou apenas após o fim da lista de leitura de filosofia. Alertamos que se seguido o segundo caminho, a leitura se torna incrivelmente chata pois o leitor verá com facilidade cada erro dos livros.

[30] Autor tosco. Seguir lista de ciência política. Ler artigos Filosofia do Desespero, A Ditadura do Relativismo, e a resenha O Direito como Experiência.

[31] Seguir as instruções da lista de Economia.

[32] Seguir segundo as instruções da lista de Filosofia.

[33] Seguir segundo as instruções da lista de História.

[34] Seguir segundo as instruções da lista de Ciência Política.

[35] Seguir segundo as instruções da lista de Filosofia.

[36] Seguir segundo as instruções da lista de Literatura inglesa.

[37] Seguir segundo as instruções da lista de Literatura inglesa.

[38] Seguir segundo as instruções da lista de Literatura Francesa.

[39] Autor altamente perigoso em especial ao leigo. Auguste Comte era um IDEÓLOGO. Sua filosofia é aberrativa e sua leitura despreparada é insana. Ler os artigos Política Gnóstica, A Experiência Clássica e Marx segundo Eric Voegelin. Caso se queira uma demonstração, ler o livro Cinco Lições de Filosofia de Xavier Zubiri.

[40] Seguir segundo as instruções da lista de Ciência Política.

[41] Alerta de autor ideológico. Seu sistema de lógica foi duramente criticado por Husserl e pode ser lido como curiosidade histórica. Seu utilitarismo já estava refutado em Kant.

[42] Seguir segundo as instruções da lista de Literatura inglesa.

[43] Seguir segundo as instruções da lista de Ciência Política.

[44] Autor ideológico. Pode ser lido segundo as instruções da lista de economia. Recomenda-se ler os artigos Karl Marx segundo Eric Voegelin, Civilização sem religião?, A Resistência da Igreja Católica na Lituânia Contra a Perseguição Religiosa, A Natureza como base das ações morais, O que Restou do Socialismo, Amnésia e Inconsciência, Politica Gnóstica.

[45] Seguir segundo as instruções da lista de Psicologia.

[46] Autor extremamente nocivo a leigos. Implicações morais pérfidas. Ler o artigo Filosofia do Desespero.

[47] Seguir segundo as instruções da lista de Psicologia.

[48] Ler após nível 3 da lista de filosofia.

[49] Autor difícil. Facilmente nível 4 da lista de filosofia.

[50] Autor ideológico. Mesmas restrições de Marx.

[51] Nossas restrições a Russell aplicam-se à sua – horrorosa – obra de história de filosofia. Os livros aqui listados podem ser lidos no nível 3 da lista de filosofia e requerem algum conhecimento matemático que pode ser adquirido na lista de matemática.

[52] Autor chato. Mas o da lei natural é legal.

[53] Autor existencialista. Ler após nível 3 da lista de filosofia. Aplicam-se restrições descritas no artigo Filosofia do Desespero.

3 comentários em “Lista de Leituras sugeridas por Mortimer Adler”

  1. Ao me deparar com biografias de personagens importantes da história, da ciência ou da música, fico na dúvida qual a melhor forma de “encaixá-las” no ordenamento das leituras. O Olavo recomenda dedicar algum tempo à leitura de biografias e memórias, mas a dúvida fica quanto ao momento mais adequado. Seria junto a literatura, para formação do imaginário, ou seja, anterior à história e à filosofia ou concomitante ao estudo da história, lendo sobre os personagens mais importantes dentro do período que está sendo pesquisado?

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