Filosofia do Desespero

Por Vitor Matias

Quando descobrimos a existência da filosofia, tudo nos parece novo e encantador; de fato encontramos um mar de conhecimento, autores, vertentes, e temas variados que nem duas vidas inteiras poderiam abarcar. E, embora essa primeira impressão não seja restrita à filosofia, é dela que trataremos aqui por conta de um diferencial todo especial. É um ditado popular que o remédio prescrito em dose errada se torna veneno; casos análogos ocorrem quando o remédio prescrito não é o correto para a doença, ou ainda quando utilizado sem necessidade. Não é exagero dizer que, com alguma frequência, a filosofia causa mais ou menos o mesmo efeito.

Ao leigo, tal afirmação pode parecer um disparate; afinal, ele viu na escola ou em algum jornal que a filosofia é algo como o conhecimento de si e das coisas, e conhecimento pode ser doloroso, mas não maléfico. Reconhece-se a inocência e como Kant diz:

A inocência é uma coisa admirável; mas é por outro lado muito triste que ela se possa preservar tão mal e se deixe tão facilmente seduzir.[1]

Então para que expliquemos como alguns autores e suas filosofias podem ser especialmente venenosos, precisaremos fazer uma pequena digressão. Esse texto não tem a intenção de criticar a filosofia de autor algum, mas expor alguns fatos que o leitor saberá identificar seja em si, seja em amigos, seja em seu meio.

  1. Inocência

Esse não é o primeiro artigo que serve de alerta a quem se interessa por filosofia; mas, enquanto outros artigos rogam pela prudência quanto à ordem do estudo, aqui se preza pela consciência do estudante. Comumente é dito que a filosofia é uma disciplina subjetiva – e não raro isso é um eufemismo para relativismo – e em parte é verdade; meias verdades são muito comuns quando se trata superficialmente de filosofia, e, embora esse artigo seja exatamente um tratamento superficial, tentaremos fazer com que suas pontas soltas não se tornem opiniões endurecidas, mas que essas pontas, se seguidas, liguem-se a bons livros.

Boa parte da filosofia é subjetiva no sentido de que depende de um sujeito e suas relações. A filosofia não nasce como que da semente sem árvore; ela nasce e cresce por haver um sujeito que resolveu filosofar. E, nesse sentido, ela quando escrita carrega consigo muito de seu autor, afinal, quando este escreve, está nos dando a saber o que ele mesmo pensou, mesmo que para isso tenha utilizado o pensamento de muitos outros; cada notinha escrita, desde que escrita com nossas próprias palavras, sempre carrega algo de nós – e carregar um pouco de nós nada tem que ver com sinceridade, sendo isso outro problema.

Disso temos outra questão que pede por algumas palavras. Essa face subjetiva da filosofia nos dá sua principal característica: a filosofia é uma disciplina que exige firme sinceridade para consigo e para com os outros. A esmagadora maioria dos temas filosóficos exige muito menos um aparato técnico de precisão do que uma precisa sinceridade para com a experiência que temos do real e do que sabemos.

Olavo de Carvalho o diz:

Perguntaram-me uma vez, num debate, como definia a honestidade intelectual. Sem pestanejar, respondi: é você não fingir que sabe aquilo que não sabe, nem que não sabe aquilo que sabe perfeitamente bem. Se sei, sei que sei. Se não sei, sei que não sei. Isto é tudo. Saber que sabe é saber; saber que não sabe é também saber. A inteligência não é, no fundo, senão o comprometimento da pessoa inteira no exercício do conhecer, mediante uma livre decisão da responsabilidade moral.

Quando lemos um texto filosófico, em especial quando trata de temas sensíveis ou experienciais, é mister que o entendamos no mínimo como experiência real; e não raro tal entendimento é turvo quando o leitor não procura ali um relato, mas um argumento estritamente lógico. É ainda pior quando, ao lermos um texto do tipo, nos vemos ali refletidos e não o admitimos por motivos outros;[2] essa negação deliberada foi estudada por alguns autores.[3]

Comumente se diz que, para ser corretamente compreendida ou sequer ser válida, a filosofia de um autor deve ser destacada de sua biografia, sob o risco de cairmos em muitos ad hominem quando o avaliarmos. Há aqui algum toque de verdade, mas também há outro de medo. Digo isso pelo motivo exposto anteriormente e por mais um: todo especialista em um filósofo sabe que não é uma boa idéia estudar um autor sem ter lido sua biografia e saber em que contexto ele se encaixava: o que leu, como seu pensamento se formou. O destacamento de uma filosofia ou parte dela costuma ser útil em dois casos: para avaliação lógica de alguns argumentos ou como exposição parcial de um pensamento; tratamentos que não estes têm sérios riscos de não serem muito mais que deturpações.

Cada nota que escrevemos, desde que nas condições descritas, carrega um pouco de nós; a leitura da biografia dos filósofos o mostra bem, e podemos observar esse dado na escrita tanto daqueles atidos à literatura quanto à abordagem sistemática; tanto daqueles mais metódicos quanto na escrita circular daqueles que preferem um estilo de vida mais anárquico. Podemos ver notas de sentimento nos escritos daqueles mais sensíveis e até rastrear a origem dele, bastando que haja um leitor perspicaz munido do equipamento crítico correto; Eric Voegelin o sabia muito bem, e seu História das Idéias Políticas desvela que muitas filosofias nasceram de sentimentos frequentemente confusos e até de consciências deformadas.

O tema da consciência muito nos interessa aqui – e o utilizamos em sentido lato, às vezes quase como sinônimo de personalidade. Olavo de Carvalho costuma dizer que a filosofia é a unidade do conhecimento na unidade da consciência e vice-versa; é uma definição muito útil aqui, especialmente quando percebemos que, quando destacamos a biografia de um filósofo de sua filosofia, ignoramos a unidade da consciência do sujeito que escreveu a obra. Um caso muito citado é o do Emílio, de Rousseau: o livro de educação escrito por um educador que não educou os próprios filhos. Tal afirmação pode soar como um ad hominem, mas não é: a falácia só ocorre quando apontamos a vida do autor como se anulasse o argumento, o que não ocorre aqui. O que é feito é apenas uma discrepância entre a teoria e a prática; o que foi escrito e o que foi feito, o que foi pensado e o que foi dito.

Mas o que nos interessa aqui não é a unidade entre o que os filósofos fazem; o que interessa é a influência de seus escritos no leitor na medida em que estes carregam tanto da personalidade do filósofo. É sabido que Nietzsche escreveu parte de sua obra sob efeitos de uma doença que o afetava, mas antes disso escreveu sob os efeitos de sua alma. Os escritos nietzschianos são “cheios de Nietzsche” enquanto pessoa, e o leitor de seus aforismos coloca em seu coração parte do autor. Isso ocorre com qualquer livro de filosofia, e com mais força naqueles escritos com o coração. Mas, e quando esse livro é escrito com o desespero contido no coração?

O leitor iniciante carrega sua inocência; aqui digo no sentido de que ele ainda carrega aquela concepção de que o conhecimento pelo conhecimento é sempre bom; mas é interessante atentar ao fato de que essa noção é sempre abstrata. Conhecer é sem dúvida bom, mas o modo como se conhece é também importante; aquele que diz ao rei “tu viverás mais que todos” e aquele que diz “tua família toda morrerá antes de ti” diz o mesmo de modos diferentes. Aquele que diz que o objeto possui prioridade na ordem do ser na medida em que a ordem do conhecer não pode se dar se não houver um objeto, diz algo que poderia ser dito assim: “você conhece coisas pois antes de ti há coisas”. Há uma ordem para se aprender as coisas e, além da ordem, há um modo que visa a evitar unilateralidades; Schopenhauer diz que a vida é sofrimento com momentos de tédio; inversamente, poder-se-ia dizer que é tédio com momentos de sofrimento. E aquele que sempre ler “tua família toda morrerá antes de ti” repetidas vezes tende a acreditar apenas no mal que a frase transmite, a ver o mal sempre como eminente ante o bem de uma longa vida; e em verdade, esmagado pelo peso da unilateralidade do mal, aquele que cai nesse poço raramente sai.[4]

A inocência pressupõe um “não-saber”. Nesse sentido assemelha-se à ignorância, mas não queremos usar o sentido pejorativo. Quando comemos chocolate pela primeira vez, não sabemos que seu excesso poderá nos causar problemas – bem dolorosos – no banheiro mais próximo. Quando lemos muito sobe certo tipo de filosofia muito cedo também não sabemos que ela irá nos causar problemas tão dolorosos quanto, mas em nossas almas.

Adiciona-se ainda um problema extra que turva a divisão entre a inocência, a ingenuidade, e a proteção orgulhosa de suas opiniões. Costuma-se confundir, intencionalmente ou não, pessimismo e realismo; mas as diferenças são gritantes quando os colocamos lado a lado. A primeira nota do pessimismo é ser uma posição antes ética – usamos o sentido lato – do que ontológica; precisamente o inverso do realismo. O pessimista comum, antes de uma avaliação do real, tende a ter pressupostos que o classificarão em categorias de bom ou ruim, precisamente o inverso do que o realista tende a fazer. Este, por sua vez, tende a buscar uma avaliação muito diferente do mundo antes de chegar nos temas éticos; e ainda que nos escritos pessimistas comuns encontremos uma ordem de pensar realista, perceberemos que, por baixo da crosta dos escritos, há um manto de desespero que espera para escorrer pela primeira rachadura que encontrar. O pensamento pessimista tem outra diferença capital: quando não nasce do exemplo anterior, nasce de uma ontologia bruscamente diferente da realista, como a idealista ou a materialista. Atentemo-nos ainda a outra diferença: quando nasce de uma ontologia, o pessimismo tende a se criar em ontologias profundamente imanentistas. O desespero é um sentimento opaco e só pode nascer onde haja uma cosmovisão que retire a possibilidade de seu cessar. E o realismo não é assim; não encontraremos nada parecido com isso em Aristóteles, nem em Sto. Tomás de Aquino e outros. O pessimista – cotidiano, não o filósofo, pelo menos não frequentemente – crê-se realista na medida em que acredita ver o mundo como ele é; mas não percebe que está ou englobando o mundo em uma visão ética pressuposta de antemão, ou baseando essa visão em uma ontologia tão desesperadora quanto seu coração. Mas isso é outra história; para nossos propósitos, é suficiente que não se confunda pessimismo e realismo; até pelo fato de os grandes filósofos pessimistas tenderem a se opor radicalmente ao realismo.

  1. Desespero

Não é novidade alguma que vivemos em um tempo em que as pessoas andam desoladas; não que isso não tenha ocorrido em muitas outras épocas, mas o que nos interessa no momento é a nossa. E especialmente no campo da filosofia – e aqui falo da praticada aqui, no Brasil – as coisas vão para o mesmo lado. Procure o estudante mais próximo e converse sobre a vida; não demorará muito até que você se depare com pesadas doses de ceticismo e pessimismo. Isso não é anormal; desde cedo somos impregnados desse tipo de filosofia e ensinados que “se deve questionar tudo” ou “que a filosofia nasce da dúvida”; não há muitos passos entre esse tipo de coisa e isto aqui:

Mas, inversamente, para aqueles nos quais a vontade virou e se negou, este nosso mundo tão real com todos os seus sóis e vias lácteas é – Nada.[5]

Mário Ferreira dos Santos chamava de “filosofias da negação” todas aquelas que antes de afirmar algo procuraram negar e assim continuaram a fazer sempre; a negação do conhecimento, a negação das coisas, a negação dos valores, a negação do bem, a negação de si. Ele dizia também que o negativo necessita do positivo para ser, e assim é até para aqueles que negam aquela positividade que os possibilita negarem. Essa negação, esse non serviam interior é a gênese do desespero.

O pessimismo em filosofia, assim como resto das filosofias da negação, costuma nascer do desespero ante o mundo ou de alguma causa psicológica. Um exemplo difundido é o chamado antinatalismo, defendido por alguns pessimistas.[6] Essa visão prega que nascer é um ato egoísta pois não “pede-se” para nascer; mas como não atentar o crasso erro de que a escolha é algo que só ocorre quando se há sujeito para escolher e que não podemos ter uma liberdade irrestrita a ponto de escolher até as condições em que vamos nascer? Não é exagero apontar que esse pensamento é ilusório e carrega dentro de si o desejo de mudar a realidade; é uma espécie de crença cancerígena.

Exemplo de descrição do antinatalismo.

 

Isso vale ainda para Schopenhauer: na biografia do filósofo escrita por Adolphe Bossert, vemos que, polonês – a cidade onde Schopenhauer nasceu fica na atual Polônia –, nasceu e cresceu em um ambiente que lhe rendeu muitas amarguras, que continuaram durante a vida e só mitigaram ao fim de sua velhice. Não digo que as condições externas nos determinem – isso é outro erro monstruoso – mas sim que nos influenciem; e Schopenhauer foi fruto disso, como podemos ver a partir da segunda metade de seu O Mundo como Vontade e como Representação.

É interessante notar que o desespero tem raízes mais ou menos identificáveis: ele costuma nascer da – suposta – falta de sentido do mundo ou de uma amálgama de experiências que fazem com que a cosmovisão da pessoa seja vertida ou para uma via negativa no sentido da negação de si – espécie de niilismo –, ou da negação da realidade no sentido de querer mudá-la por alguns meios – esse meio é apontado por Voegelin como uma forma de magia. Se revestirmos o desespero de uma “armadura filosófica” – e todos sabemos que tendemos a justificar nossos vícios com argumentos supostamente lógicos; em filosofia não seria diferente, e muitos criam sistemas para justificar sua hubris – temos algo como uma injeção de estricnina para o leigo em filosofia. Boa parte dos leigos em filosofia que tem contato com filosofias do tipo mudam seu comportamento para um pessimismo tóxico.

  1. A Filosofia como Veneno.

Não se dá whisky a um alcoólatra; a pessoa que toma whisky puro – moderadamente – sabe que seu corpo é suficientemente forte para digeri-lo sem problemas e que seus efeitos serão benéficos. Do mesmo modo, não se recomenda filosofia da negação a alguém desesperado, e não se deve ler filosofia pessimista se não a puder sublimar num mar de otimismo a ponto de usá-la como símbolo para experiências de vida que não são a totalidade dela. Quando se adota uma filosofia da negação, adota-se o desespero como inquilino – como dito em Ser e Dever-Ser, o esquecimento do ser leva à negação do bem e ao niilismo, o qual se une à tendência à aceitação moral do suicídio –, e é bem sabido da psicologia que, quando o sentido de nossas vidas é retirado, quando nossa cosmovisão é solapada pelo nada, precisamos preencher esse nihilum com algo. Boa parte da logoterapia de Viktor Frankl é dedicada a resolver os problemas que esse pensamento causa. Não é preciso ir longe: na literatura temos fartos exemplos; em Capitães da Areia, Jorge Amado nos faz saber disso antes mesmo da metade do livro.

A destruição do sentido pela filosofia da negação comumente nem precisa do contato direto com o livro, mas com aqueles que seguem essa cosmovisão; Keynes diz que homens práticos que acreditam estar imunes à influência intelectual costumam ser escravos de economistas mortos; em filosofia algo análogo acontece e muitos não são mais do que fantoches de filósofos – ou filosofias – mortas; alguns até o sabem, e certo Dr. Manhattan já disse que apenas via suas cordas.

Se observarmos o estudante leigo de filosofia – ou o desavisado – perceberemos que sua cosmovisão solapada pelo nihilum facilmente o joga para alguma prática que sirva de preenchimento do vazio; preenchimento normalmente intramundano, como uma ideologia. Outros afetados pelo impacto da coisa passam a se comunicar de forma também diferente, comumente em tom desinteressado ou ao menos com tal pose. O leigo de filosofia tende à prolixidade, normalmente para exibir o que aprendeu; mais tarde ele percebe que usar tantos termos gongóricos não é necessário, pois o leitor leigo não entende e o leitor veterano sabe o que é dito sem precisar de tantos adereços. Mas o dado é que esse verter do vácuo de sua cosmovisão para algo intramundano no caso pessimista pode causar problemas mais sérios.

Em seu Ser e Dever-Ser, Anderson Machado nos conta que um discípulo de Schopenhauer, P. Mainländer, se suicidou pois sua filosofia o levou a crer que “não ser era melhor do que ser”.[7] [8] E não nos enganemos achando que o desespero do mundo por essas vias é algo do passado.

 

Frequentemente se diz que é uma falácia de “ladeira escorregadia” afirmar que o simples contato despreparado com certos pensamentos levará alguém ao desespero; mas observemos que, historicamente falando, isso não é válido. Não raro se vê que um dado pensamento tende a progredir em seu radicalismo até as últimas e mais extremas consequências, mesmo que esse caminhar não seja lógico [9]. Muitas filosofias da negação não procuram ser lógicas, mas retóricas, do mesmo modo como Orlando Fedeli – em Antropoteísmo – e Irineu de Lyon – em Contra as Heresias – caracterizam as gnoses antigas não como internamente lógicas, mas sim retóricas, ao pregarem o mesmo que o pessimista tende a pregar pelos mesmos meios: o nada.

  1. Epílogo

Insiste-se muito em uma ordem de estudos que se inicie normalmente em ordem cronológica, passando por história da filosofia e alguma formação moral para que o intelectual se desenvolva saudável. Jean Guitton diz, em seu O Trabalho Intelectual, que a formação intelectual deve andar de mãos dadas com a espiritual; Sertillanges dirá o mesmo a seu modo. Boa parte das filosofias da negação não têm ordem nem espírito e, por isso, tendem ao reducionismo ou a picotes saídos de outras filosofias; picotes que, se devolvidos ao lugar de onde saíram, e identificados como partes de uma experiência que não representa a totalidade da vida, alocam-se e se tornam novamente saudáveis. Um estômago que procura digerir estando vazio ganha uma úlcera; um corpo despreparado para o exercício intenso quando o faz sofre sérios – e talvez permanentes – danos. Com a filosofia não é diferente, em especial quando se lê aquilo que veio de um coração amargurado ou de uma cosmovisão unilateralizada. Assim esse ensaio não se encerra pregando a queima de livros, mas sua leitura ordenada e consciente.

 

Para evitar esse tipo de coisa…

 

 

[1] Fundamentação da Metafísica dos Costumes p.37

[2] Louis Lavelle é um autor que opera descrevendo experiências sensíveis.

[3] Voegelin em ensaios como Eclipse da Realidade e Lonergan em seu INSIGHT no capítulo denominado escotose.

[4] Assim é o caso de Schopenhauer.

[5] O Mundo como Vontade e como Representação p.479

[6] Seja o pessimista cotidiano seja o filosófico. Schopenhauer defendia uma posição antinatalista.

[7] Ser e Dever-ser p.45

[8] Curiosamente esse é um dos pensamentos de fundo do antinatalista ou em parte daqueles a favor do aborto.

[9] Heidegger percebeu isso ao ligar a forma de niilismo de Nietzsche como implícita na filosofia cartesiana. Ver Ser e Dever-Ser p.46.

2 comentários em “Filosofia do Desespero”

  1. Excelente artigo! Muitos leitores ao se depararem no início com autores pessimistas como Nietzsche e Schopenhauer, não levam o pensamento como adaptação de vida, porém, como uma negação de tudo ao absorverem as amarguras de tais autores, os levando a conclusões absurdas e precipitadas. Por isso é essencial estar preparado para “digerir” tais autores, não corrompendo em tais ideias.

    Esse trecho diz tudo:

    Boa parte dos leigos em filosofia que tem contato com filosofias do tipo mudam seu comportamento para um pessimismo tóxico.

    “Não se dá whisky para um alcoólatra; a pessoa que toma whisky puro – moderadamente – sem problemas sabe que seu corpo é forte o suficiente para digeri-lo sem problemas e que seus efeitos serão benéficos. Do mesmo modo, não se recomenda filosofia da negação para alguém desesperado e não se deve ler filosofia pessimista se não puder sublimá-la num mar de otimismo a ponto de usá-la como símbolo para experiências de vida que não são a totalidade dela.”

  2. Andei escutando nalgum True Outspeak, do Olavão, que, quando nos depararmos com esse tipo de filosofia, devemos vomitá-la. Muita das vezes ele fala para fazermos isso quando já temos conhecimento prévio de algo que possibilite de antemão uma total abertura de si para com as filosofias(pessimistas, niilistas, etc.). Na primeira vez ao ouvir, achei um tremendo besteirol; após ler o artigo — excelente artigo, por sinal — entendi que não se trata de apenas ideias ou argumentos “vazios e desanimadores” jogados ao vento onde qualquer um possa ler e entender, ideias como essas são extremamente daninhas a ponto de, ao absorvê-las, aconteça um suicídio. Nunca li nada sobre os autores niilistas ou pessimistas, mas pessoas a minha volta, volta e meia ateias, sempre indicam Nietzsche, e ao vê-las lendo aquilo sempre são os primeiros a abrirem o falatório sobre Religião, Igreja, etc. É bem feio e horripilante.

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