O Ordenamento das Leituras

O Guia definitivo das listas de leitura.

Sobre o leitor que chegou até aqui, pressupomos que esteja em busca de um programa de leitura ordenado para que possa iniciar seus estudos sem arrastar-se em meio às várias pedras de tropeço que com alguma certeza encontrará pelo caminho.

Inicialmente este guia foi escrito por conta das muitas e insistentes dúvidas acerca de nosso programa de estudos, que mesmo tendo sido repetidamente exposto em nossas sessões de respostas no Instagram, tendeu a ter suas elucidações peremptoriamente ignoradas. Aqueles que seguiram tal caminho pagaram o preço e deram origem ao Monumento dos Teimosos.

Todas as listas de leitura possuem instruções – que devem ser seguidas – para melhor aproveitamento de seu conteúdo. Entre elas há um certo ordenamento que possibilita ao leitor atento descobrir que algumas listas devem ser lidas antes de outras; por exemplo, a leitura da lista de Direito pressupõe a lista de filosofia devidamente lida e qualquer um que tenha certa proficiência no tema sabe que a Filosofia do Direito é ininteligível sem a plena posse do entendimento de uma miríade de conceitos filosóficos mais ou menos avançados

Ainda assim segundo o dito, tivemos problemas com os estudante mais teimosos que opuseram hercúlea resistência a colocar um freio em suas paixões e vontade de refutar o amiguinho. Na expectativa de sanar esse fato horroroso que demonstra muito bem o motivo do Brasil estar no Hades do ranking de educação mundial, fizemos esse guia das listas de leitura.

  1. Para um programa de leitura ordenado

Quanto às listas de leitura gerais e especialmente quando se trata dos prolegômenos da lista de filosofia, nenhum dos livros citados pode ser pulado e nem trocado de lugar, devendo a leitura ser estritamente ordenada. Nenhum livro extra poderá ser adicionado a menos que os administradores o façam em atualizações periódicas das listas. Essa regra é importante para que o leitor iniciante em sua inocência e vontade de ler certos livros não adicione leituras desnecessárias e fora de contexto. Isso é bem comum entre os interessados em política e economia, matérias que pressupõem certos conhecimentos que são encontrados apenas em filosofia e sua falta pode facilmente criar a criatura grotesca que diz coisas sem o saber, o temido palpiteiro.

Mas como saber se estou preparado para a Lista de Filosofia?

Se o interessado não possui certa carga de leitura, a lista de Literatura é a mais recomendada. Por carga de leitura digo sobretudo literatura clássica em geral; isso NÃO INCLUI literatura teen e contemporâneos: Harry Potter, Crepúsculo, Leviatã, Saga Divergente, As Crônicas de Gelo e Fogo, estão peremptoriamente excluídos. É preciso que o interessado faça certo exame de consciência; literatura clássica nada tem que ver com isso e filosofia não é brincadeira de criança.

Cada lista possui certa lógica interna que oscila entre cronologia e dificuldade, e cada livro prepara o caminho para o próximo. É por isso que os prolegômenos da lista de leitura de filosofia, o coração do programa inteiro, é rígido e inamovível.

Não se deve em hipótese alguma fixar-se em uma lista apenas: caso o faça com a de lógica, por exemplo, há risco de logicismo. Muitos autores citados não concordam entre si e é assim que deve o ser;  por exemplo, uma lista apenas de autores existencialistas fecharia o estudante em uma só escola de pensamento, o que é extremamente perigoso – e é exatamente isso que fazem os mais exaltados. É de fato uma prática extremamente prejudicial que faz com que o leitor se transforme exatamente no que acusa os outros de o serem, digo, alguém preso em uma bolha fora da realidade. E eis o motivo pelo qual não faremos lista alguma de vertentes filosóficas ou temas filosóficos específicos. É de conhecimento público que o estudante preguiçoso não lê o que deve mas o que quer; uma lista  de fenomenologia seria um convite para que não se lesse o básico para chegar até ela. Husserl já foi suficientemente deturpado por filósofos, e não queremos que o seja também por refutadores de internet.

Muito do que se vê em Matemática se verá em Lógica – especialmente após a ascensão da lógica de Fregue -, então uma serve de complemento à outra; e que ninguém se ache um bom lógico até possuir bom domínio da lógica matemática.

Para que não se tenha problemas em encontrar os livros, a esmagadora maioria deles foi linkado na Amazon para que o interessado possa adquirir. Nas listas de Literatura, é frequente que encontremos obras disponíveis apenas em e-book. Por conta disso, recomenda-se adquirir um Kindle.

2. Adendo:

As Listas de Literatura pedem uma completação de pelo menos 70% para que se prossiga para a próxima. É altissimamente recomendado que todos aqueles com menos de 18 anos permaneçam nas Listas de Literatura até que atinjam a maioridade. Os jovens são conhecidos como deturpadores profissionais de filósofos e em sua esmagadora maioria são presa fácil do “discurso do pensamento crítico”. Por conta desses problemas, é melhor que se mantenham preenchendo a cabeça com os temas apresentados nos níveis propostos antes de se aventurar na filosofia.

Alguns mais velhos costumam se sentir acanhados com nosso programa por acreditarem ter “passado do tempo”. Isso não existe. Para Kant, só se deve filosofar após os 30. Todos são bem-vindos à vida de estudos desde que se tenha dedicação.

Demais instruções estão na descrição das listas. Bons estudos.

0.5 – Literatura

Parte 1 – Grécia Antiga
Parte 2 – Roma Antiga
Parte 3 – O Medievo
Parte 4 – Portugal
Parte 5 – Brasil
Parte 6 – Inglaterra

1.0Filosofia

2.0 – História

3.0Matemática

3.5Lógica

4.0Direito

5.0Economia

6.0Ciência Política

7.0Psicologia

8.0Anti-Ideologia

  1. Específicas

As listas de leitura específicas foram idealizadas para facilitar a pesquisa individual de certos autores; não devem ser lidas antes de, ao menos, metade da lista de filosofia, sendo otimista. Cada autor possui obras de dificuldades e temas muito diferentes; quem lê o Beleza e o Desejo Sexual de Roger Scruton mal acredita que se trata do mesmo autor.

Por não seguirem o programa de leitura geral, não possuem ordem entre si, mas apenas ordem interna de cronologia e dificuldade.

Atualmente as listas são:

  1. Platão
  2. Aristóteles
  3. Santo Agostinho de Hipona
  4. Santo Tomás de Aquino
  5. Immanuel Kant
  6. Georg Wihelm Friedrich Hegel
  7. Arthur Schopenhauer
  8. Soren Kierkegaard
  9. Gilbert Keith Chesterton
  10. Clive Staples Lewis
  11. Louis Lavelle
  12. José Ortega y Gasset
  13. Hannah Arendt 
  14. Eric Voegelin
  15. Eric Weil
  16. Giovanni Reale
  17. Roger Scruton
  18. Olavo de Carvalho

Aos que querem descobrir os resultados da indisciplina, basta clicar na imagem abaixo:

7 comentários em “O Ordenamento das Leituras”

  1. Site extremamente importante para formação de um intelectual. Muito bem estruturado e bem humorado, além de ser rico nos temas e autores é também nos detalhes, possibilitando um maior aprofundamento e entendimento sobre o todo que o site propõem em ensinar. Meus parabéns! Fico até emocionado de saber que existe um grupo assim, interessado em ajudar; e que ajuda, não consigo acreditar!!

  2. O que seria uma leitura simultânea, ler um livro de literatura e após o término desse, ler um do prolegômenos, ou de fato ler os dois ao mesmo tempo?

  3. Ola, nao entendi o que se quis dizer com “Não se deve em hipótese alguma fixar-se em cada lista em especial” Havia entendido que, exceto quando anotado (prolegômenos da lista de filosofia e litaratura – que podem ser lidas simultaneamente), as listadas devem ser lidas em sequencia, portanto só iniciar uma lista quando se finaliza a anterior. Alguem teve outro entendimento?
    Obrigado,

  4. Obrigado mesmo por isso.
    Eu encontrei vocês faz pouco tempo e já sonhava em obter conhecimento e deixar de ser pleb no modo clássico desde o “””boom””” do conservadorismo no início de 2010, estava cansado de ver vídeos do Olavo e não entender bosta nenhuma. Além de ficar assistindo os palpiteiros e ficar só reproduzindo o que via no youtube o que depois de um tempo me fez perceber que estava sendo exatamente igual aqueles que criticava. Gostaria de agradecer e elogiar o fato de escolherem autores que são conflitantes em busca de um melhor crescimento crítico. Enfim, vocês fizeram o trabalho que nunca soube por onde começar! Continuem assim!

    Gostaria de saber qual o meio mais rápido para tirar dúvidas com vocês também

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