Da Intuição e sua Possibilidade – um curso sobre Immanuel Kant

Olá, caro leitor.

Apresentamos aqui nosso novo curso, “Da Intuição e de Sua Possibilidade”, onde falaremos do mais ou menos famoso filósofo Immanuel Kant, presença constante em nossos artigos e tema de uma lista de leitura especial.

Nesse curso, não trataremos das consequências culturais da obra Kantiana, tema que é mais bem colocado em uma história das ideias políticas ou história da cultura; aqui trataremos de temas específicos dentro da obra magna de Kant, a Crítica da Razão Pura, e, mais precisamente, sobre o que se pode aprender ali sobre juízos, conceitos, intuições e semelhantes.

Como a Crítica da Razão Pura é parte de um sistema, usaremos como apoio várias obras de Kant, como o Manual de Lógica Geral, Prolegômenos a Toda Metafísica Futura, Fundamentação da Metafísica dos Costumes e Princípios Metafísicos da Ciência da Natureza (Metaphysische Anfangsgründe der Naturwissenschaft), em tradução exclusiva para o curso.

Assim como o curso de historiologia, as aulas possuem apenas áudio, e tem duração média de 1h e 20 minutos; a previsão é que sejam dadas três ou mais aulas, onde abordaremos desde o Prefácio da Crítica da Razão Pura até o capítulo “Ideia de uma Lógica Transcendental”.

As aulas serão postadas no youtube de forma privada, sendo assim disponibilizadas de forma privada apenas para os assinantes do curso, perante investimento de R$ 40,00.

Para se inscrever, por favor enviar um e-mail para contraosacademicos@gmail.com com o assunto “Inscrição do Curso do Kant” para receber o link de pagamento, que pode ser feito por cartão ou boleto. No corpo da mensagem, é importante que se envie o e-mail que o interessado utiliza para logar no Youtube, pois apenas logado que se poderá assistir às aulas. O link mesmo mostrará quando o pagamento for concluído, sem necessidade de envio de comprovante, a menos que o interessado o queira enviar.

As aulas, que são gravadas, serão liberadas semanalmente, e nesse espaço de tempo, enquanto o curso estiver disponível, os alunos poderão enviar dúvidas – sobre os temas tratados em aula – que serão respondidas sempre na aula seguinte.

A aula 1 já se encontra disponível; é interessante que o aluno já tenha lido alguns livros dos prolegômenos da Lista de Leitura de Filosofia para que possa absorver o curso com maior facilidade.

Se nosso curso for bem-sucedido, iremos prosseguir na confecção de mais.

Da Intuição e sua Possibilidade – um curso sobre Immanuel Kant

Custo: r$ 40,00

Inscrição: enviar email para contraosacademicos@gmail.com com o assunto “Inscrição do Curso do Kant” para receber o link de pagamento.

Duração: Aula 1 foi posta em 15/02/2019 e o curso foi encerrado em 08/03/2019. Todas as aulas estão disponíveis aos interessados em forma de gravação.

Aula 1

Trecho da Aula 1:

Embora tenha dado aulas sobre, oficialmente, Kant nunca escreveu um livro sobre o tema; o mais próximo disso que possuímos são os comentários da crítica da razão pura, mas nada com a precisão que mesmo um manual pede; assim, o que temos são transcrições de notas tomadas pelos alunos durante suas aulas, reunidas no livro “Manual do Curso de Lógica Geral.

Mas o que nos interessa aqui não é a lógica geral para Kant, mas o que ele entende por conceito. Falaremos muito de conceitos a priori e a posteriori, juízos puros a priori e a posteriori; mas em momento algum Kant dá maiores explicações sobre na Crítica, o que nos força a vir buscar em outros livros. Para que saibamos o que Kant quer dizer com conceito, primeiro leremos o que ele diz sobre no livro, e em seguida faremos comentários; é importante anotar os trechos em paráfrase. Alguns termos que utilizamos aqui, como representação e intuição, serão explicados no decorrer do curso, então não se preocupem. Pressuponho que a maioria daqui esteja mais ou menos familiarizada com a doutrina do conceito de matriz tomista; então, para fins de clarificação e comparação, usaremos a doutrina de Pedro da Fonseca, filósofo tomista conhecido como o “Aristóteles Português” como apoio.

Kant entende que todo conhecimento, na medida em que é uma representação relacionada a um objeto, deve ser intuitiva ou conceitual; ou é uma intuição ou um conceito. A intuição é tida como uma representação [e no decorrer do curso veremos o que isso significa] do singular, e o conceito, uma representação do universal. O conhecimento por conceitos é chamado por Kant de conhecimento discursivo [cognitio discursiva].

O conceito, e agora falo de forma geral…

Aula 2

Trecho da Aula 2:

A contingência mesma da experiência irá gerar os seguintes corolários, que nada tem que ver com a negação de sua validade ao modo idealista material: a experiência tem si seu valor aqui, e ela nos fornece alguns conhecimentos necessários, os a priori impuros; mas poderia nos fornecer um a priori puro, absolutamente a priori, que não dependa dela mesma? De fato, o a priori puro deve condicionar a experiência a um modo de necessidade que ela, por si, não alcança. Assim, os juízos a priori impuros não alcançam uma universalidade rigorosa; eis o problema a indução, como o podem ver, caso bata a curiosidade, no Capítulo 1 do Lógica da Pesquisa Científica do Popper.

Expliquemos: aquilo que se dá na experiência, o que experienciamos, já foi condicionado pelo aparato cognitivo com anterioridade na ordem do conhecer; essa estrutura é o absoluto a priori e a condição de possibilidade de juízos a priori impuros que só aparecem após esse condicionamento ao modo de uma síntese que de modo algum é suficiente para uma necessidade absoluta, fato comprovado pela contingência empírica de que falamos anteriormente. Logo, [a contingência empírica] não pode nos dar juízos absolutamente necessários. Isso que Popper irá pensar em sua falseabilidade para doutrinas científicas; juízos empíricos estão vulneráveis e a refutações que dissolvam sua universalidade; mas as condições mesmas da experiência não estão.

Assim os juízos pensados puramente a priori não admitem exceção alguma e são chamados válidos a priori e os dois critérios dados por Kant são necessidade e rigorosa universalidade.3
Mas há algo assim? Em outras palavras, é possível haver juízos puros a priori? Segundo Kant…

Aula 3

Trecho da Aula 3:

Pois bem: aqui percebemos que a intuição é tomada como meio de referência de um conhecimento a seu devido objeto; a intuição só funciona na medida em que há um intuível, i.e., um objeto adequado a seu aparato intuitivo próprio e isso é verificado na medida em que o objeto nos afeta de algum modo; quando olho para algum lugar, a luz afeta meus olhos ao modo de fornecer a iluminação de que necessita para ver outros objetos. Essa capacidade receptora da intuição chamamos sensibilidade. Através, pois, dessa sensibilidade, nos são fornecidos objetos; percebam o pormenor: tudo o que percebemos é já objeto e não há coisa alguma que nos apareça que não nos seja objeto. Esses objetos são pensados no entendimento – veja como Kant não usa razão aqui –, mas este esse referirá sempre a objetos que foram dados na intuição sensível pois só ela pode nos fornecer isso.

Esse efeito causado pelo “contato” do objeto com nossa intuição sensível é o que Kant chama sensação; a intuição que se relaciona com o objeto deste modo é a intuição empírica. E aqui, um dos termos que mais veremos: o objeto, seja lá qual seja, i.e., indeterminado, na medida em que é intuído empiricamente, chama-se fenômeno.

Matéria é o que, no fenômeno…

Aula 4

 

Trecho da Aula 4:

Agora Kant nos elenca várias consequências das exposições anteriores. A primeira delas é que o tempo não existe em si nem é inerente às coisas nelas mesmas. Se o primeiro fosse o caso, ele seria um objeto real, o que é absurdo; no segundo, se inerente à coisa, não poderia determina-la, i.e., precedê-la como condição, como regra, e nem ser conhecido a priori. Mas o conhecimento apriorístico do tempo é possível na medida em que ele seja entendido – o tempo absoluto já dito – como condição subjetiva necessário para que intuamos as coisas. Kant diz que o tempo é a intuição interna, pois mesmo em pensamento, pensamos apenas sucessivamente.

O tempo não é mais do que a forma do sentido interno, isto é, da intuição de nós mesmos e do nosso estado interior. ”[1] Foi dito anteriormente que o tempo não pode existir sozinho [tempo absoluto] nem ser propriedade das coisas; então sobra-lhe o status formal. Kant nos propõe mais um experimento interessante: quando tentamos representar o espaço, o fazemos como um grande vácuo que pode ter figuras tridimensionais adicionadas; mas e com o tempo? Quando tentamos representar o tempo, o fazemos com uma linha potencialmente infinita que contém em si eventos; ou, representamos o tempo com, por exemplo, o envelhecimento de uma fruta; mas isso não é o tempo, é seu efeito; é uma demonstração propter quid, no jargão escolástico. Percebemos por aqui também que a representação do tempo mesmo é uma intuição, pois suas relações são representadas apenas intuitivamente; os aficionados à lógica perceberão isso facilmente, visto que uma das características dos conceitos é justamente excluírem relações temporais: eles são sempre estáticos.

            “O tempo é a condição formal a priori de todos os fenômenos em geral”. Aqui temos um ponto importante; leiamos o que diz Kant:

O espaço, enquanto forma pura de toda a intuição externa, limita-se, como condição a priori, simplesmente aos fenômenos externos. Pelo contrário, como todas as representações, quer tenham ou não por objeto coisas exteriores, pertencem, em si mesmas, enquanto determinações do espírito, ao estado interno, que, por sua vez, se subsume na condição formal da intuição interna e, por conseguinte, no tempo, o tempo constitui a condição a priori de todos os fenômenos em geral; é, sem dúvida, a condição imediata dos fenômenos internos (da nossa alma) e, por isso mesmo também, mediatamente, dos fenômenos externos. Se posso dizer a priori: todos os fenômenos exteriores são determinados a priori no espaço e segundo as relações do espaço, posso igualmente dizer com inteira generalidade, a partir do princípio do sentido interno, que todos os fenômenos em geral, isto é, todos os objetos dos sentidos, estão no tempo e necessariamente sujeitos às relações do tempo.[2]

Pois bem. O espaço só pode dar conta dos fenômenos representados como externos, como não-nós dada essa ralação, como vimos anteriormente; mas as representações…

[1] B50

[2] B51

1 comentário em “Da Intuição e sua Possibilidade – um curso sobre Immanuel Kant”

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